É muito comum encontrar brasões sendo vendidos de acordo com determinados sobrenomes, mas, historicamente, não é assim que funciona a heráldica — a ciência e arte que estuda, cria e descreve os brasões de armas e escudos. Um brasão não pertence a um sobrenome; ele pertence a uma família, linhagem ou ramo familiar específico que tenha utilizado ou recebido aquelas armas.
Essa concessão podia ocorrer por parte de um monarca (como recompensa por méritos militares, serviços prestados ao reino ou ao elevar alguém à condição de nobreza) ou por meio de corporações de oficiais especializados, liderados pelos Reis de Armas, para evitar que duas famílias usassem o mesmo desenho.
Além disso, nos primórdios da heráldica (séculos XII e XIII), antes da consolidação de sistemas formais de regulamentação, os próprios cavaleiros escolhiam e adotavam símbolos para irem à guerra. Se a família mantivesse o uso daquele escudo por gerações sem contestação, o direito ao brasão passava a ser considerado legítimo.
A pesquisa em fontes heráldicas e arquivísticas italianas mostra diferentes famílias Fiori, estabelecidas em lugares distintos e com brasões diferentes. Portanto, não existe um único “brasão dos Fiori” que possa ser atribuído automaticamente a todos os portadores do sobrenome. O mesmo cuidado vale para sobrenomes parecidos. Fiore, Fiorini e Dal Fiore não devem ser considerados a mesma família apenas pela semelhança dos nomes.
Por isso, para saber se determinado brasão pertence aos antepassados de uma pessoa, não basta encontrar o sobrenome em um catálogo. É preciso identificar a família, sua localidade e sua genealogia, e então verificar se existe documentação que ligue aquele ramo às armas. Vale lembrar que a maioria dos imigrantes Fiori que vieram para o Brasil era de camponeses/agricultores de regiões onde a grande maioria não possuía títulos de nobreza nem brasões registrados.
Brasões e famílias identificados na pesquisa
Família e Origem | Descrição | Fonte |
Fiori de Florença | Escudo partido: ouro com lambel de três pendentes de azul; azul com lírio de prata. | Raccolta Ceramelli-Papiani, Archivio di Stato di Firenze, fascículo 2045. |
Fiori delle Ruote (Florença) | De ouro, com um braço esquerdo vestido de prata, segurando um feixe de ramos verdes, floridos de vermelho e azul. | Archivio di Stato di Firenze, Raccolta Sebregondi, n.º 2239; Raccolta Ceramelli-Papiani, fasc. 2045. |
Fiori de Sorrento/Bisceglie | Campo azul com leão sustentando um lírio de ouro. | Enciclopedia Storico-Nobiliare Italiana, de Vittorio Spreti, volume III, p. 189. (Obras posteriores registram a linhagem tanto como Fiori quanto como Fiore/Di Fiore.) |
Fiori de Lerici estabelecidos em Castelnuovo dei Monti (Ligúria / Emilia-Romagna) | De prata, com duas rosas de vermelho, com hastes e folhas de verde, dispostas em pala; as hastes atravessadas por uma cruz de vermelho, cada braço carregado de uma estrela de ouro; chefe de azul carregado de três estrelas de ouro. | Vittorio Spreti, Enciclopedia Storico-Nobiliare Italiana, vol. III, p. 188. (Recebeu o título de barão por Decreto Real de 1889, com sucessão primogenial masculina.) |
Brasão comercial vendido no Brasil pelo Projeto Imigrantes. | Escudo dividido horizontalmente em prata e vermelho, com quatro flores douradas, duas em cima e duas embaixo.
| Dizionario storico-blasonico delle famiglie nobili e notabili italiane, de G. B. di Crollalanza, publicado em 1888. A obra identifica essas armas como pertencentes aos Fiore de Muro Leccese, na Puglia, e não à família de grafia Fiori. |
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