quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Resgate do sobrenome Fiori da região de Toscana

O sobrenome Fiori é de origem medieval e vem do latim floris, que significa "flores", usado como um desejo de prosperidade ("belo como uma flor"). No Brasil, os primeiros registros deste sobrenome foram encontrados em Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Neste último, os irmãos Giovacchino e Domenico Fiori fixaram residência vindos da região da Toscana, na Itália, por volta de 1885, estabelecendo-se na Serra Gaúcha, nas cidades de Veranópolis e Vila Flores.

Este blog resgata a história desses irmãos e ajuda aqueles que buscam sobrenomes envolvidos em sua árvore genealógica. A ideia é mostrar um pouco da cultura italiana remanescente no Sul do Brasil, contar fatos curiosos registrados na pesquisa e exibir fotos tanto da cidade de origem na Itália quanto da região colonizada no Brasil.

Dúvidas ou contribuições, escreva para alefiori@gmail.com. Aos poucos, vamos acrescentar dados da árvore genealógica para que você possa pesquisar seus antepassados. É importante lembrar que, se seus familiares não estiverem listados aqui, é sinal de que seu ramo Fiori não corresponde a esta família, que tem origem em Castelnuovo di Garfagnana, província de Lucca, na região da Toscana, Itália.

Registros gerais do sobrenome Fiori no Brasil


Uma das mais antigas referências a este sobrenome é o registro de Giorgio Fiori (1430-1512), jurista e historiador italiano. Outros destaques incluem Cesare Fiori (1636-1702), pintor e entalhador; Francesco Alessio Fiori (1717-1790), jesuíta, literato e poeta; e Giuseppe Fiori, poeta, matemático e astrônomo citado em 1623.

No Brasil, encontramos o registro de Maria Fiori, nascida em São Paulo (SP) em 1898, e Angelina Fiori, nascida em Vinhedo (SP) em 1909, ambas filhas de Cornélio Fiori e Emília Muran (ou Murari). Também há uma família estabelecida no século XIX no Paraná, à qual pertence o comerciante Vicente Fiori, proprietário de uma oficina de funilaria em Curitiba (PR) no ano de 1900. Outro ramo fixou-se em Ribeirão Preto (SP), ao qual pertence Domingos Fiori, que deixou descendência por volta de 1907 com Laurinda Fiori. Há ainda o registro de Antonio Fiori, nascido em 1904 em Minas Gerais.

No Rio Grande do Sul, há o registro da família de Roque Fiori, estabelecida em Porto Alegre, que deixou geração de seu casamento, por volta de 1910, com Rosa Fiori. Na região de colonização italiana, em Conde d'Eu (atual Bento Gonçalves), chegou Roberto Fiori, vindo de Veneza, casado com Catterina Zanin. Já no município de Vila Flores, antigo distrito de Alfredo Chaves (atual Veranópolis), há o registro dos irmãos Giovacchino e Domenico, cujos descendentes são o tema principal deste blog.

Veja a distribuição do sobrenome Fiori na Itália:



Por que o fluxo migratório da Toscana foi tão pequeno?

Ao contrário do Vêneto e da Lombardia — que responderam por mais de 60% de toda a imigração italiana para o Brasil —, a Toscana contribuiu com uma fatia bem menor. As razões econômicas e sociais para isso foram:

  • O Sistema de Meazeria (Mezzadria): A estrutura agrária da Toscana era dominada pela parceria rural. Embora o camponês meeeiro não fosse dono da terra, ele tinha uma relação de relativa estabilidade com o proprietário (padrone), dividindo a colheita. Essa estrutura amortecia a fome extrema e o desespero social que devastavam os camponeses do Vêneto, onde o minifúndio e o trabalho assalariado miserável empurravam a população para fora do país.

  • Industrialização e Rotas Internas: A Toscana contava com centros urbanos e pré-industriais em expansão (como Florença, Livorno e Prato) que absorviam parte da mão de obra rural que migrava do campo para a cidade.

  • Destinos Alternativos: Os toscanos que optavam por emigrar preferiam rotas para países vizinhos na Europa (como França e Suíça) ou para a Argentina, em vez de enfrentar as fazendas de café ou os lotes isolados da serra no Brasil.

  • A Exceção de Garfagnana: A região de Castelnuovo di Garfagnana e dos Alpes Apuanos era uma das áreas mais pobres e isoladas da província de Lucca. Por ser montanhosa e ter pouca terra cultivável, tornou-se um dos poucos bolsões toscanos com forte pressão emigratória.


Genealogia: como funciona a pesquisa de sobrenomes?

Genealogia é o estudo para estabelecer a origem de um indivíduo ou de uma família por meio da
exposição cronológica da filiação de um indivíduo ou da origem e ramificações de uma família. Essa busca de informações e montagem da árvore genealógica inclui nomes, datas e lugares por onde andaram os mais remotos antepassados, mantendo-os vivos na memória de seus descendentes.

Essa pesquisa envolve consultas em igrejas, cartórios e arquivos públicos. No desenvolver do trabalho é possível descobrir um pouco da história que envolve, não apenas a família pesquisada, mas o país, a região e as cidades envolvidas.

Os celtas, povo que habitava a região oeste da Europa no II milênio a.C, preocupavam-se em montar suas árvores genealógicas, ou árvore da vida, crendo num significado mágico: reforçava os laços com os antepassados e prestava uma homenagem aos que lhes tinham transmitido a vida.

O desenho de uma árvore genealógica significa que as raízes estão entranhadas no solo e os galhos apontam para o céu, simbolicamente formando um elo entre as forças celestes e terrenas. Um símbolo sagrado da criação, fecundidade e imortalidade.



Assoc. Bras. de Pesquisadores em História e Genealogia
http://www.asbrap.org.br

Colégio Brasileiro de Genealogia
http://www.cbg.org.br

Memorial do Imigrante
http://www.museudaimigracao.org.br

Pesquisa de sobrenomes na Itália 
http://www.gens.labo.net 

Arquivos Genealógicos Italianos

A família na Itália


Na região da Toscana, próximo dos alpes, a pequena localidade de Monterotondo, é uma das "frazioni", algo como um distrito, da cidade de Castelnuovo di Garfagnana (6 mil habitantes), na província de Lucca. Trata-se de um vilarejo com meia dúzia de casas de pedra e uma capela, chamada Oratorio di Santo Spirito.

Os Fiori trabalhavam no cultivo de avelãs e fabricavam a chamada "farina dolce", muito usada para fazer pães, biscoitos e doces. Atualmente, os bucólicos campos do vilarejo são utilizados principalmente para a criação de gado, atividade que contribui para o sustento das famílias locais. A região também atrai um pequeno, mas crescente, turismo de aventura, impulsionado pela visitação de cavernas como a Grotta del Vento, que impressiona pela diversidade de formações subterrâneas, entre estalactites, pequenos lagos e poços verticais.

Localizada na região do Valle do Serchio, na confluência do rio Serchio (que segue até o Parque dos Alpes Apuanos) com o Turrite Secca, a cidade de Castelnuovo di Garfagnana é bem antiga. Em um antigo mapa da região, exposto no Museu do Vaticano, o local aparece identificado como “Caferonianu”. Desde aquele tempo, Castelnuovo di Garfagnana segue sendo um centro administrativo e comercial. Todas as terças-feiras, desde 1430, ocorre um mercado tradicional no centro da cidade. Os documentos históricos mais antigos sobre Castelnuovo datam do ano 740. No século IX, praticava-se a profissão de tabelião no interior do "Castello Nuovo", que deu nome à cidade. A construção da ponte remonta a este período e foi instalada para conectar o castelo com o distrito de Cellabarotti, conhecido hoje como Ponte Santa Lucia. Ainda no século XV, os garfagnini decidiram fazer parte do Ducado de Ferrara e Modena, na tentativa de fugir das constantes guerras entre Pisa e Lucca.

A Rocca di Castelnuovo, ou Rocca Ariostesca, é um dos principais símbolos da cidade. Sua origem remonta à Idade Média, e a fortaleza foi ampliada e modificada ao longo dos séculos, especialmente durante o domínio da Casa de Este, família que controlava a região da Garfagnana. A partir de 1451, Castelnuovo passou ao domínio dos Este, dentro do Ducado de Ferrara e, posteriormente, do Ducado de Modena e Reggio. A fortaleza passou a servir, posteriormente, como sede administrativa e residência dos governadores da província. O nome Rocca Ariostesca é uma homenagem ao poeta Ludovico Ariosto, que viveu no local entre 1522 e 1525, quando exerceu o cargo de comissário de Garfagnana a serviço dos Este.

Outro monumento de notável interesse é o Duomo San Pietro e San Paolo, reconstruído no início do século XVI sobre uma antiga igreja românica, com origens que remontam ao século XI. Embora seja chamado de catedral, é a igreja paroquial da cidade. Ao longo dos séculos, o edifício passou por diferentes reformas, incluindo intervenções barrocas e restaurações posteriores. No interior, encontra-se a “Pala di San Giuseppe”, uma peça em terracota da escola Della Robbia, em cuja base podem ser observados os brasões da comunidade de Castelnuovo: um leão azul sobre um campo amarelo.

A família Fiori viveu várias gerações no pequeno vilarejo de Monterotondo. Segundo o professor Giuliano Nesi, que presidiu na década de 1990 o Cominato Editoriale del Corriere di Garfagnana, a família é oriunda da cidade de Riccovolto, mais ao norte da Toscana, já na província de Modena. 

O século XIX foi marcado por uma intensa expulsão demográfica na Europa. O alto crescimento da população, ao lado do acelerado processo de industrialização, afetaram diretamente as oportunidades de emprego. Estima-se que, entre 1870 e 1970, em torno de 28 milhões de italianos emigraram (aproximadamente a metade da população da Itália) para países da Europa e América.

Um aspecto peculiar da imigração em massa italiana é que ela começou pouco depois da unificação da Itália, em 1871. Isso ajuda a explicar por que a própria identidade italiana como nação também foi sendo construída entre os imigrantes que chegaram ao Brasil. Até meados da década de 1920, pelo menos 1,5 milhão de italianos vieram para o país. Homens, mulheres e crianças que deixaram não apenas suas terras de origem, mas também uma vasta descendência, estimada em mais de 25 milhões de brasileiros — entre eles, os Fiori. Assim, a história da imigração italiana é também a história de famílias que atravessaram o oceano, reconstruíram suas vidas e ajudaram a formar uma parte importante da identidade brasileira.

Descendente da família Fiori conhece vila de onde partiram imigrantes

Conhecer as próprias origens é uma curiosidade natural do ser humano. No Rio Grande do Sul, a região das antigas colônias italianas preserva e valoriza essa história, atraindo turistas interessados em conhecer como viveram os imigrantes que atravessaram o oceano no século XIX em busca de novas oportunidades e de uma vida mais próspera. 

A curiosidade cresceu e veio o processo de cidadania italiana que resultou numa aventura: entre maio e junho de 2008 viajei para conhecer a Itália. O ponto alto seria no domingo, 25 de maio, quando tomei um trem para Lucca, uma cidade fundada por etruscos e dominada pelos romanos em 180 a.C. 

O motivo é que Lucca é o ponto de partida para subir os Alpes Apuane (o nome deriva da tribo Apuani Ligures), uma cordilheira de 55 quilômetros de extensão no norte da Toscana. Nessa região, na antiga Castelnuovo di Garfagnana, estão as origens do meu sobrenome, segundo as pesquisas para o processo de cidadania. 

O posto de informações turísticas de Lucca tem um amplo material de divulgação da região, mas quando pergunto sobre a pequena Monterotondo a atendente não faz ideia. Uma das "frazioni" de Castelnuovo, algo como distrito, nem mesmo aparece no mapa. A saída, foi pegar um trem e ir até lá, mesmo sem saber se havia horário de retorno, afinal, o importante era aproveitar a oportunidade.

Para chegar a Castelnuovo, um trem simples, com a linha chamada Aula, de apenas duas composições, parte de Lucca em direção aos alpes. A paisagem se transforma: dos campos verdes ponteados de ciprestes e "novelos de palha" da Toscana, para uma paisagem bastante familiar para quem conhece a Serra Gaúcha. Trata-se do mesmo modelo e distribuição de casas. A única diferença é que as montanhas são infinitamente mais altas, e algumas preservam a neve do último inverno. Com certeza, esses italianos não estranharam a geografia e o clima do Sul do Brasil. A vista se completa com algumas pontes romanas e fortalezas em ruínas.

A estrada de ferro passa por cidades como Bagni di Lucca, onde as águas termais atraiam os centuriões aposentados do Império Romano. Castelnuovo não demora a aparecer. Trata-se de uma cidade que é referência há séculos para a região. Já foi chamada de "Caferonianu" nos mapas da Roma Antiga (em exposição no Museu do Vaticano). No século IX praticava-se a profissão de tabelião no interior do "Castello Nuovo". No século XV, os "garfagnini" aderiram ao governo de Niccolò d'Este di Ferrara, na intenção de fugir da disputa entre Pisa e Lucca. Nessa época, a Rocca Ariostesca, uma fortaleza construída no século XII, passou a ser residência dos governadores da província.

Casas e sobrados guardam a história de sobrevivência durante batalhas entre diferentes domínios. Logo após a entrada, é possível avistar a igreja de San Pietro e Paolo, construída em 1467 para substituir uma mais antiga em homenagem aos mesmos apóstolos. Foi nessa igreja que os Fiori foram batizados, segundo a certidão enviada pela paróquia ao Brasil. Idosos se apressam para a missa das 18 horas, inclusive uma senhora a quem eu havia pedido informações sobre como chegar ao centro da cidade a partir da estação de trem. "Lei ha trovato il centro? Bene!" Os habitantes são simpáticos aos raríssimos turistas que aparecem por ali. Foi um "carabinieri", policial local, que confirmou a existência de Monterotondo, além de também informar sobre o último trem às 20 horas de volta à Lucca. A presença de uma estrangeira na pequena cidade chamou a atenção. Um senhor curioso veio perguntar o que eu precisava e foi prestativo chamando um taxi, o único do vilarejo.

Enfim, sou levada pelo seu Gulielmo ao "paesino" de Monterotondo. Uns cinco minutos pela rodovia e mais três minutos por uma sinuosa estradinha numa colina verde. De repente, uma vila de casas de pedra surge. Dois casais de idosos estão sentados conversando sob uma árvore no jardim do Oratorio dello Spirito Santo, uma pequena capela em meio a alguns poucos sobrados. "Perchè fotografie?" perguntam os moradores. Dona Eni Tellini fica curiosa pela minha histório e responde de pronto: "Sì, io ho conosciuto Agostino Fiori. Era già un anziano". Ela diz que o vizinho Agostino teve irmãos que foram para o Brasil e pergunta se eu quero ver a casa onde moravam. Claro, era o irmão do meu bisavô, que era muito jovem e não foi para o Brasil na época da imigração.

A família Fiori, do casal Ferdinando Fiori e Francesca Giannasi, morava num sobrado de pedra com pequenas janelas para um vale. Infelizmente o sobrado precisou ser reformado e a fachada perdeu as características para um reboco de cimento. A entrada dos fundos tem um forno de pedra, onde dona Francesca devia fazer os pães para os filhos Giovachino, Domenico, Giovani, Agostino e Paolo. A casa está desocupada e pertence a descendentes de Agostino. O sobrado ao lado foi alugado por uma senhora.  
Dona Eni conta que aquele vale em frente à casa dos Fiori era cheio de árvores de avelã. A "farina dolce" era fabricada por eles e vendida na região. Mas vieram os tempos difíceis a partir de 1880, em especial a crise econômica envolvendo a produção rural italiana que se concentrou em grandes propriedades com pesados impostos para os pequenos. Foi então que Giovachino e Domenico desceram os alpes em direção a Genova, acompanhados da esperança de uma vida melhor na América.

Na colônia de Santa Isabel, atual Garibaldi, no Rio Grande do Sul, Giovachino casou-se por volta de 1885 com Antonia Zilio e mudou o nome para Joaquim. Ele construiu um sobrado em Pinheiro Seco, distrito de Veranópolis. Um povoado formou-se em torno do estabelecimento comercial dos Fiori. Na década de 1920, a pequena cidade passa a se chamar Vila Flores, em homenagem à família. Giovacchino recebeu uma homenagem póstuma (Diploma ao Mérito) da Camara di Commercio, Industria, Artigianato, Agricoltura di Lucca. 

Enquanto isso, em Alfredo Chaves, atual Veranópolis, Domenico Fiori se dedicou ao comércio, a política e a maçonaria. Em 1884, casa-se com Lucia Gonzatti e tem quatro filhos. Fundou a Societá Stella di Itália, também conhecida como Consiglio di Principe di Napoli, ainda em Conde d'Eu, atual Bento Gonçalves. Em Veranópolis, foi Conselheiro da Confederazione Italiana in Alfredo Chaves, entre 1891 e 1894. Viúvo, casou-se pela segunda vez com Maria Giovanna Canal em 1900, com quem teve outros três filhos.

Uma viagem como esta vai muito além de um passeio turístico. É uma aventura pelas paisagens e pelos caminhos que um dia fizeram parte da vida de nossos antepassados antes de sua partida para a América. Em cada lugar, há uma história à espera de ser reencontrada. Ao percorrer esses lugares, os descendentes deixam de encontrar apenas nomes em ruas ou datas em certidões de nascimento. Encontram paisagens, histórias e, talvez, um pedaço de si mesmos — encontram suas origens.

A família no Brasil

A história oral dá conta de que três filhos de Ferdinando Fiori e Francisca Giannasi, partiram da pequena vila de Monterotondo, passando por Castelnuovo de Garfagnana e desceram o vale do Rio Sercchio, na Toscana. O destino: um navio que partisse de Gênova em direção à América. Os registros não foram localizados, mas especula-se que seja logo no início da chegada dos primeiros imigrantes italianos ao Brasil, entre 1875-80. Seriam eles Giovanni (1854), Giovacchino (1857) e Domenico (1864). Os irmãos Agostino (1859) e Paolo Angelo (1861) permaneceram em Monterotondo. Giovanni teria ficado em São Paulo, enquanto Giovacchino e Domenico acreditaram numa vida melhor no Rio Grande do Sul. Um lugar onde o clima e a geografia são semelhantes ao vale do Rio Sercchio. Foi a última vez que viram Giovanni, não há informações posteriores dele.


Giovacchino Fiori 
Os registros do nome de Giovacchino foram traduzidos para Joaquim. Em Santa Isabel (Garibaldi) ou Conde d'Eu (Bento Gonçalves), cidades próximas, conheceu Antonia Zilio, filha de Giovanni Zilio e Giovanna Borsato, família oriunda de Padova, na região do  Veneto. Casaram-se por volta de 1885 e mudaram-se para Alfredo Chaves (Veranópolis), em 1888. Aproveitando o movimento dos tropeiros e o crescimento da região, abriram uma casa de comércio na avenida central do vilarejo, então conhecido como Pinheiro Seco. Com a família crescendo (12 filhos) e os negócios prosperando, em 1913 inauguraram a Casa Fiori. Giovacchino faleceu de um ataque cardíaco durante um jogo de bocha, em 1926. Ele recebeu uma homenagem póstuma, um Diploma di Benemerenza (Diploma de Mérito), da Câmara de Comércio, Indústria, Artesanato, Agricultura de Lucca.

Domenico Fiori 
Domenico fixou residência em Alfredo Chaves (Veranópolis), na Linha Figueira de Melo. Ele casou-se com Lucia Gonzatti, em 1884, e teve quatro filhos: Fernando, Maria, Francisca, Joaquim e Frederico Ferdinando. É possível notar homenagens nos nomes à mãe, pai e irmão. Dedicou-se ao comércio e fundou a Societá Stella di Itália, também conhecida como Consiglio di Principe di Napoli, em Conde d'Eu (Bento Gonçalves). Foi Conselheiro da Confederazione Italiana, entre 1891 e 1894, em Alfredo Chaves (Veranópolis). Nota-se que essas sociedades têm relação com a Maçonaria (organizações fraternais). Domenico teve uma segunda esposa, Maria Giovanna Canal, em 1900. Com ela teve três filhos: Manoel, Luigi e Bibiana.

Hoje é possível conhecer a história da família em um memorial organizado junto a Casa Fiori, construída em 1913 por Giovacchino Fiori. O local tornou-se uma famosa casa de pão caseiro e café colonial, que recebe turistas de todo o país. Localizada na cidade de Vila Flores, há 170 km de Porto Alegre, segue sendo residência de seus descendentes. Para mais informações, acesse esse link do perfil no Instagram https://www.instagram.com/casafiori1913 

A Serra Gaúcha é uma das regiões do Rio Grande do Sul mais procuradas por turistas de todo o país. A popularidade se explica pela combinação de belas paisagens naturais, riqueza histórica, cultura e uma ampla estrutura turística. Além das vinícolas, restaurantes e atrações que tornaram a região conhecida, é possível percorrer lugares que preservam a memória da imigração italiana e ajudam a compreender como essas comunidades se formaram e se desenvolveram. Entre os principais destinos estão Veranópolis, conhecida por suas águas termais; Bento Gonçalves, com o tradicional Vale dos Vinhedos; Garibaldi, referência na produção de espumantes; Carlos Barbosa, conhecida pela produção de queijos; Antônio Prado, que preserva um importante conjunto de arquitetura italiana; e Caxias do Sul, principal centro comercial e industrial da região. Nas proximidades, cidades como Gramado, Canela e Nova Petrópolis completam o roteiro, oferecendo outras experiências de cultura, gastronomia e paisagens da Serra. Para quem busca as próprias raízes, porém, cada uma dessas cidades pode representar muito mais do que um destino turístico: pode ser uma porta de entrada para a história de quem veio antes.



Brasões conferidos a nobres de sobrenome Fiori

É muito comum encontrar brasões sendo vendidos de acordo com determinados sobrenomes, mas, historicamente, não é assim que funciona a heráldica — a ciência e arte que estuda, cria e descreve os brasões de armas e escudos. Um brasão não pertence a um sobrenome; ele pertence a uma família, linhagem ou ramo familiar específico que tenha utilizado ou recebido aquelas armas. 

Essa concessão podia ocorrer por parte de um monarca (como recompensa por méritos militares, serviços prestados ao reino ou ao elevar alguém à condição de nobreza) ou por meio de corporações de oficiais especializados, liderados pelos Reis de Armas, para evitar que duas famílias usassem o mesmo desenho.

Além disso, nos primórdios da heráldica (séculos XII e XIII), antes da consolidação de sistemas formais de regulamentação, os próprios cavaleiros escolhiam e adotavam símbolos para irem à guerra. Se a família mantivesse o uso daquele escudo por gerações sem contestação, o direito ao brasão passava a ser considerado legítimo.

A pesquisa em fontes heráldicas e arquivísticas italianas mostra diferentes famílias Fiori, estabelecidas em lugares distintos e com brasões diferentes. Portanto, não existe um único “brasão dos Fiori” que possa ser atribuído automaticamente a todos os portadores do sobrenome. O mesmo cuidado vale para sobrenomes parecidos. Fiore, Fiorini e Dal Fiore não devem ser considerados a mesma família apenas pela semelhança dos nomes.

Por isso, para saber se determinado brasão pertence aos antepassados de uma pessoa, não basta encontrar o sobrenome em um catálogo. É preciso identificar a família, sua localidade e sua genealogia, e então verificar se existe documentação que ligue aquele ramo às armas. Vale lembrar que a maioria dos imigrantes Fiori que vieram para o Brasil era de camponeses/agricultores de regiões onde a grande maioria não possuía títulos de nobreza nem brasões registrados.

Brasões e famílias identificados na pesquisa



Família e Origem

Descrição

Fonte

Fiori de Florença

Escudo partido: ouro com lambel de três pendentes de azul; azul com lírio de prata.

Raccolta Ceramelli-Papiani, Archivio di Stato di Firenze, fascículo 2045.

Fiori delle Ruote (Florença)

De ouro, com um braço esquerdo vestido de prata, segurando um feixe de ramos verdes, floridos de vermelho e azul.

Archivio di Stato di Firenze, Raccolta Sebregondi, n.º 2239; Raccolta Ceramelli-Papiani, fasc. 2045.

Fiori de Sorrento/Bisceglie

Campo azul com leão sustentando um lírio de ouro.

Enciclopedia Storico-Nobiliare Italiana, de Vittorio Spreti, volume III, p. 189. (Obras posteriores registram a linhagem tanto como Fiori quanto como Fiore/Di Fiore.)

Fiori de Lerici estabelecidos em Castelnuovo dei Monti (Ligúria / Emilia-Romagna)

De prata, com duas rosas de vermelho, com hastes e folhas de verde, dispostas em pala; as hastes atravessadas por uma cruz de vermelho, cada braço carregado de uma estrela de ouro; chefe de azul carregado de três estrelas de ouro.

Vittorio Spreti, Enciclopedia Storico-Nobiliare Italiana, vol. III, p. 188. (Recebeu o título de barão por Decreto Real de 1889, com sucessão primogenial masculina.)

Brasão comercial vendido no Brasil pelo Projeto Imigrantes.

Escudo dividido horizontalmente em prata e vermelho, com quatro flores douradas, duas em cima e duas embaixo.



Dizionario storico-blasonico delle famiglie nobili e notabili italiane, de G. B. di Crollalanza, publicado em 1888. A obra identifica essas armas como pertencentes aos Fiore de Muro Leccese, na Puglia, e não à família de grafia Fiori.


Genealogia Família Fiori - Descendentes de Giovaccino Fiori

Descendentes de Giovacchino Fiori

1ᵃ Geração

Giovacchino Fiori (filho de Ferdinando Fiori e Francesca Giannasi) nascido em 30 Jul 1857 em Castelnuovo di Garfagnana, Lucca, Itália. Morreu em 5 Fev 1926 em Vila Flores, Rio Grande do Sul, Brasil. Casado com Antonia Zilio.

Antonia Zilio (filha de Giovanne Zilio e Giovanna Borsatto) nascida em 18 Jan 1870 em Padova, Veneto, Itália. Morreu em 23 Mai 1958 in Vila Flores, Rio Grande do Sul, Brasil. Casada com  Giovacchino Fiori.

Filhos:
João Gabriel Fiori
 (16/09/1888, casado com Emilia Peruzzo)
Maria Francisca Joanna Fiori (07/08/1890, casada com Tobias Lazzari)
Angelo Ferdinando Fiori (01/04/1892)
Julio Fiori (12/02/1894, casado com Luiza Bettio)
Adolfo Reinaldo Fiori (06/12/1895, casado com Ana Chioquetta)
Angela Julia Fiori 
(casada com Pussídio Salomoni)
Druziana Suzana Fiori 
(casada com Pedro Roberto Décimo Bordignon)
Antonio Fiori 
(casado com Sibila Angélica Casanova)
Francisca Fiori 
(casada com Ermínio Cagliari)
Fiorelo Décimo Fiori 
(23/01/1909, casado com Amábile Casanova)
Anita Joana Fiori 
(casada com Antonio Andreola)
Maura Fiori 
(casada com Pedro Zottis)


2ᵃ Geração

João Gabriel Fiori 
1º casamento - Emilia Peruzzo
Filhos:
Belio Caetano Fiori
Ernestina Fiori
Josefina Fiori
Sabina Antonia Fiori
Juliana Fiori

2º casamento - Helena Schimidt (sem filhos)

3º casamento - Terezinha Migliavacca
Filhos:
Emilia Migliavacca Fiori
Julio Migliavacca Fiori

Maria Francisca Joanna Fiori casada com Tobias Lazzari
Filhos:
Pamila Lazzari
Patronila Lazzari
Isolde Lazzari
Vilma Lazzari
Carlos Lazzari
Vitorino Lazzari

Julio Fiori casado em 02/12/1916 com Luiza Bettio nascida em 07/11/1895
Filhos:
Teodolinda Fiori
Florentino Fiori
Armando Fiori
Iracema Fiori
Selésia Fiori
Hilário Joaquim Fiori
Darcy Luiz Fiori
Jandira Therezinha Fiori
Adaci Fiori
Léo Julio Fiori

Adolfo Reinaldo Fiori casado com Ana Chioquetta
Filhos:
Nair Fiori
Raul Fiori
Sestílio Fiori
Roberto Fiori
Inês Fiori
Honório Fiori
Gabriel Fiori
Zeni Fiori

Druziana Suzana Fiori casada com Pedro Roberto Décimo Bordignon
Filhos:
Sírio João Bordignon
Elídio Antonio Bordignon
Danilo Pedro Bordignon
Idílio Bordignon
Fiorelo Darcy Bordignon
Olivia Aldina Bordignon
Pussídio Salomoni

Angela Julia Fiori casada com Pussídio Salomoni
Filhos:
Beloni Salomoni
Sueli Salomoni

Antonio Fiori casado com Sibila Angélica Casanova
Filhos:
Glicéria Fiori
Liseu Olivino Fiori
Araci Fiori
Eleutherio Fiori

Francisca Fiori casada com Ermínio Cagliari
Filhos:
Adílis Cagliari
Ivone Cagliari
Lurdes Cagliari
Alencar Cagliari

Fiorelo Décimo Fiori casado com Amábile Casanova (28/10/1911 - 27/07/1978)
Filhos:
Agenor Joaquim Fiori
Olívio Fiori
Antonia Fiori
Oscar Antonio Fiori
Julieta Fiori
Rosemary Fiori

Anita Joana Fiori
 casada com Antonio Andreola
Filhos:
Maria de Lurdes Andreola
Marialva Andreola
Mari Rose Andreola
Roni José Andreola
Celso Andreola
Mario Geraldo Andreola
Edi Agostino Andreola

Maura Fiori casada com Pedro Zottis
Filhos:
Dulcino Antonio Zottis
Valmor José Zottis
Ivone Maria Zottis

Genealogia Família Fiori - Descendentes de Domenico Fiori

Descendentes de Domenico Fiori

1 Geração

Domenico Fiori (Nascido em 06/04/1854 em Monterotondo, Toscana, Itália)

1º casamento: (10/12/1884 com Lucia Gonzatti)
Filhos:
Luigi Fiori
Fernando Fiori
Maria Fiori (1881, casada com Vittorio Ravizoni)
Francisca Fiori (1882, casada com Isidoro Chiaradia)
Joaquim Fiori
Frederico Ferdinando Fiori (1892)
Marcos Fiori (casado com Rosa Carletti)
Bibiana Fiori
Angelo Fiori
Matias Fiori

2º casamento: (1900 com Maria Giovana Canal, sem filhos)

3º casamento: Joana Zorzi
Filhos:
Luigi Fiori                             

2 Geração

Marcos Fiori casado com Rosa Carletti
Filhos:
Manoel Domingos Fiori
Domingos Sebastião Fiori
Inês Fiori
Maria Fiori
Arlinda Fiori
Luci Fiori

Maria Fiori casada com Vittorio Ravizoni
Filhos: sem informações

Luigi Fiori (filho de Joana Zorzi) casado com Isolina Faccin.
Filhos:
Eloy Anisio Fiori
Roni Leonardo Fiori
Reny Anna Fiori
Enedi Joana Fiori
Olmir Fiori
Marlene Fiori

Álbum de Fotos


Giovacchino Fiori e Antonia Zilio (foto melhorada por IA)


Filhos de Giovacchino e Antonia Zilio:
Julio Fiori e Luiza Bettio


Fiorelo Decimo Fiori e Amabile Casanova

                     Filho de Domenico Fiori e Joana Zorzi:


Luis Fiori e Isolina Faccin

Resgate do sobrenome Fiori da região de Toscana

O sobrenome Fiori é de origem medieval e vem do latim floris , que significa "flores", usado como um desejo de prosperidade (...